Relato de um Resgatado da Violência e Abusos – Por Vinícius Alberto

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“Wenio,
Eu não estou entrando em contato para divulgar apenas um clipe.
Estou escrevendo porque decidi não me calar mais.
Entre os 8 e 12 anos, fui vítima de abuso sexual.
Minha infância foi interrompida pelo trauma. Enquanto por fora eu tentava ser forte, por dentro eu sobrevivia em silêncio.
Os louvores foram o único lugar onde eu conseguia respirar.
Foi na música que encontrei refúgio.
Foi ali que nasceu meu ministério, na dor.
Anos depois, tornei-me enfermeiro.
E por diversas vezes atendi crianças vítimas de abuso. Cada atendimento era um confronto interno profundo. Eu não via apenas um paciente. Eu via a minha própria história refletida ali.
No ano passado publiquei um vídeo no meu Instagram contando minha trajetória. O que aconteceu depois me marcou para sempre: recebi mensagens de vítimas dizendo que encontraram coragem para denunciar após ouvirem meu relato.
Ali eu entendi algo muito claro:
Eu não sobrevivi por acaso.
Eu sobrevivi porque teria uma missão.
No dia 15 de março lanço o clipe da canção “Deixa Eu Curar”, composição de Jonathan Paes. O roteiro foi inspirado na minha própria história.
O clipe retrata de forma simbólica a jornada de uma criança que encontra abrigo nos louvores enquanto enfrenta traumas silenciosos e que, na vida adulta, transforma dor em reconstrução familiar, fé e propósito.
Não é apenas um clipe, ou lançamento de uma canção é responsabilidade!
O abuso infelizmente está presente no seio familiar, nas escolas, nas igrejas e em ambientes onde deveria existir proteção.
Segundo o Disque 100, o Brasil registra dezenas de milhares de denúncias anuais envolvendo violência contra crianças e adolescentes.
Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que 1 em cada 5 meninas e 1 em cada 13 meninos sofrem abuso antes dos 18 anos.
Esses números não são estatísticas frias.
São histórias.
São vidas.
São infâncias interrompidas.
Diante dessa realidade, e depois de tornar pública a minha história, eu decidi usar minha voz com responsabilidade.
Não como vítima.
Mas como alguém que foi curado e agora escolheu proteger.
Porque infância não se toca. Infância se protege.
Eu sobrevivi. Agora eu protejo.
Com respeito,
Vinícius Alberto”
(Na Íntegra)

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